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O LAZER E A RECREAÇÃO NO SÉCULO XXI – Professor Paçoca
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O LAZER E A RECREAÇÃO NO SÉCULO XXI

Desde o século XIX, graças aos movimentos sociais e sindicais, aos novos métodos e processos produtivos, ao avanço da democracia, ao aperfeiçoamento da legislação, e aos ideais humanistas que ganharam corpo e espaço nas sociedades modernas, o mundo do trabalho passou por extensas e profundas transformações, que redundaram na adoção de sistemas mais produtivos, os quais adotaram progressivamente tecnologias em permanente avanço que reduziram o desgaste físico e proporcionaram produtividade cada vez maior. Para isso, as formas e os processos de trabalho passaram por intensa transformação em todas as áreas, ao longo do século XX, o que ocasionou igualmente mudanças no padrão e na distribuição do tempo diário, semanal, mensal e anual das classes trabalhadoras, dos profissionais liberais e dos empregados nos setores públicos.
Uma consequência importante do citado processo foi a diminuição da carga horária de trabalho. As sociedades passaram a contar com mais tempo social para outras atividades, nas quais se inclui as do âmbito do lazer, em suas variadas modalidades – esportivas, associativas, artísticas, turísticas e ambientais -, enquanto a oferta de serviços nesses segmentos se ampliou quantitativa e qualitativamente em todo o planeta. Justamente para atender a esse novo tempo social das pessoas e das coletividades.
O Direito ao Lazer está positivado no art. 6º da mesma Constituição: “São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição” (LUNARDI, 2010, p. 26).
O tempo diferenciado do trabalho vai influenciar diretamente os demais tempos sociais. E estes sofreram também mudanças significativas, com a tecnologia alterando as ocupações domésticas e o tempo para cuidados pessoais e familiares.
Foram modificados sucessiva ou concomitantemente os tempos das ocupações, familiares, domésticas, sociais e pessoais, bem como os tempos de trabalho, de estudo, de descanso, de diversão e de informação e usufruto dos bens culturais da civilização moderna. A nova organização coloca o sujeito como protagonista de suas escolhas a serem contempladas no lazer.
É perceptível a melhoria da qualidade de vida em grande parte das nações do planeta, e não é diferente no Brasil. Desde que foi adotado o Indicador da Organização das Nações Unidas (ONU), pelo PNUD, Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, o ”Índice de Desenvolvimento Humano”, o hoje conhecido IDH, o Brasil viu confirmado um gradual processo de mudanças socioeconômicas, sociopolíticas e socioculturais. Segundo o Relatório do Desenvolvimento Humano 2014, com dados de 2012-2013, o Brasil alcançou o 79º lugar no ranking internacional do IDH, com um índice de 0,744, superior à média mundial, de 0,702.
Como visto anteriormente, a Renda per capita cresceu 55,9% entre 1980 e 2013. Esse crescimento foi estimulado e favorecido pelo plano de estabilização econômica e monetária implantado nos anos 90, o Plano Real, que resultou na valorização da moeda e do seu poder de compra.
Mesmo no atual estágio, é possível identificar algumas consequências desse desenvolvimento: alteram-se os padrões de consumo, inclusive dos bens e serviços culturais; as comunidades exigem novos benefícios e serviços públicos, em outras dimensões: além de saúde, habitação, segurança e educação, saneamento ambiental, instalações esportivas, creches, instalações culturais, programas recreativos e turísticos passaram a fazer parte do acervo de solicitações e reivindicações sociais em todo o país.
As referências ao lazer na sociedade brasileira acompanham as descrições históricas do cotidiano, diferenciando os meios urbanos e rurais, com relatos mais consistentes a partir do século XIX. As festas populares sempre assumiram uma posição relevante, principalmente as de origem religiosa estimuladas pelos feriados sugeridos pela Igreja Católica, que minimizavam o fato da semana de trabalho ter seis dias. Os estudiosos do tema não o consideram o lazer mais como vinculado ao trabalho, ocupando um tempo liberado após cumpridas as obrigações laborais, e também não pensam mais o lazer em oposição a esse mesmo trabalho. O lazer é analisado, estudado e pesquisado em conexão e interação com todas as esferas da existência individual e coletiva da nossa sociedade. Repetindo, o lazer não é mais interpretado como fator orientado pelo trabalho, como anteriormente (do início do século vinte até a década de 70, aproximadamente), mas como um fenômeno interdependente e em interação com os demais fatores e processos socioculturais da nossa civilização.
A primeira observação, com base nas informações coletadas, é que o lazer e a recreação no Brasil continuarão se transformando, na continuidade do processo de desenvolvimento integral no qual o país ingressou nas últimas três décadas.
Novas e crescentes exigências sociais em lazer e recreação. O atual sistema de oferta – espaços, programas, atividades e experiências – não atenderá mais com a qualidade desejada às novas solicitações.

O recreador como agente de experiências
Muito mais do que sua atuação profissional ser pautada nas inúmeras técnicas recreativas ou no seu repertório prático, o recreador deverá sistematizar as experiências a serem promovidas em seu campo de trabalho, relacioná-las com as necessidades do sujeito, a superação das expectativas evidenciadas no processo recreativo, e às práticas culturais – físico, manual, artístico, intelectual, social, virtual e turístico, atenderão à uma grande experiência no âmbito do lazer.

A casa e suas possibilidades digitais no âmbito do lazer
A casa sempre foi o local primordial para o lazer das pessoas, e inúmeros sistemas e equipamentos foram criados nas últimas décadas para estimular essas formas de uso do tempo social. O acesso à Internet, que cresce acentuadamente nessas mesmas preferências, tende a crescer mais nos próximos anos, inclusive com forte estímulo da sociedade para que o poder público amplie e melhore a base do sistema para a rede digital. E o próprio cinema, que é a atividade fora de casa preferida dos brasileiros, pode ser substituído pela TV a cabo, na qual filmes podem ser alugados para serem assistidos em casa, e também pela alternativa de baixá-los no computador acoplado à televisão.

Mercado de produção de conteúdos para os sistemas digitalizados
A esse mercado associam-se os jogos eletrônicos, outro mercado em expansão exponencial, alternativa de lazer que basicamente retém as pessoas em casa, seja na sua própria, seja na dos amigos. O cenário para as próximas décadas aponta para a necessidade urgente da formação de público para o lazer participativo em parques, praças e outros espaços.

A Recreação e a Gamificação
É cada vez mais real a “intromissão’ da gamificação e das virtualidades na recreação. A Gamificação carrega, em sua prática, características de jogo, sendo-as a imersão, a jogabilidade e a diversão. Neste sentido, a gamificação assemelha-se muito à atividade lúdica, principalmente quando ambos os conceitos se aproveitam de narrativas para a imersão dos participantes, da participação livre para aumentar a agência e por fim a diversão. Segundo Silva et al (2016) durante a respectiva prática, o desafio proposto de “conquista” é o estimulo catalisador para os participantes. Os desafios acontecem de diversas formas – puzzle, códigos, textos, games, coordenadas e outros, que dependerá exclusivamente de criatividade da equipe de produção envolvida, bem como dos recursos disponíveis para esta ação.

Organização das unidades de conservação e maior oferta de atividades turísticas e recreativas
Nessa mesma linha de pensamento, existe uma possibilidade bem pouco explorada e utilizada no presente, mas que permitiria o desenho de uma oferta muito interessante, estimulante e consistente. São poucas as unidades de conservação brasileiras – grande rede de parques, nacionais, estaduais e municipais com estrutura bem organizada para recepção de visitantes, e menos ainda para oferta de atividades turísticas e recreativas. Para os profissionais do lazer e da recreação, mais um desafio: adquirir e consolidar conhecimentos técnicos para atuar com programas recreativos nas Áreas de Conservação brasileiras. Possivelmente, em equipes multidisciplinares.

O lazer e os idosos
A expectativa de vida, como visto, aumentou consistente e continuamente no Brasil, nas últimas décadas, e mostra tendência de continuar crescendo. Além do sujeito viver mais, será mais prolongado o período de vida com saúde e disposição física. Tudo indica uma maior participação das pessoas com mais de 60 anos nas atividades de lazer no futuro próximo, desde que a sociedade lhes ofereça as condições de renda, transporte público e de instalações de qualidade para a recreação e o entretenimento.

Centro de Formação em Recreação
É notório o desenvolvimento dos processos formativos exclusivos às empresas e instituições do setor. Cada uma delas, em sua maioria, terá um centro de formação em recreação que atenderá às suas reais necessidades, seja nos âmbitos da gestão, da técnica e outros.

Conexão afetiva
É fundamental a conexão afetiva dos programas recreativos e de seu grupo de pessoas – recreadores, gestores e outros, com o público atendido por tais. As ações relacionadas devem satisfazer às necessidades reais do sujeito – sociais, psíquicas e físicas. A interação com as pessoas preservará a participação social com grande satisfação.

O poder da gestão em lazer e recreação
A gestão em lazer e recreação deverá apresentar caminhos e meios para uma atuação sustentável e cada vez mais responsável, seja nas esferas pública e/ou privada. E assim os meios – processos gerenciais e organizacionais da gestão deverão ser planejados, descritos e cumpridos, prevalecendo os resultados em experiência positiva, na conquista dos índices e metas pré-estabelecidas e participação ativa do sujeito.

REFERÊNCIAS

LUNARDI, A. Função Social do Direito ao Lazer nas Relações de Trabalho. São Paulo: LTr, 2010.

PNUD. Relatório do Desenvolvimento Humano 2014. Disponível em: http://hdr.undp.org/sites/default/files/hdr2014_pt_web.pdf. Acesso em 20 Jun. 2017.

CAROLEI, P. Estratégias Pedagógicas Imersivas. Relatório de pesquisa apresentado ao SENAC como conclusão de projeto institucional. 2012.

SILVA, T A. C.; INOUE, H. Y., PINES JUNIOR, A. R. J. C. Jogo e gamificação: o relato de experiência do alternate reality game “o fantasma no museu” no museu de ciências e tecnologia da PUCRS. Belém: II CBEL – Congresso Brasileiro de Estudos do Lazer, 2016.

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